À beira do lago
Todo dia, havia nem o sol nascido, já me achava de pé em meio ao quarto ainda escuro da noite, iluminado somente por um feixe azul prateado da lua que entrava pela janela e parava na parede oposta. Os quadros com fotos antigas reluziam o brilho da lua formando um concerto particular de luzes. Caminhava lentamente pelo chão de madeira até a cozinha onde acendia o fogão à lenha para fazer o café; o cômodo se enchia de um laranja forte e quente que aquecia a água, fazendo borbulhar. O cheiro perfumado do café inundava meu nariz enquanto o bebia. O céu permanecia um manto negro repleto de minúsculas gotas brancas que brilhavam mais perto ou mais longe. Após o café, ia até a frente da casa; em uma longa caixa procurava uma vara de bambu com um fio e anzol na ponta. Pegava um balde branco, sujo do tempo, cheio de terra e minhocas, cruzava o portão de madeira e seguia pela rua de terra com um lampião em uma das mãos. Agora a lua já desaparecia e o céu era um contínuo azul escuro. Sob ...