Te Leio


Cada curva de teu impecável corpo

é capaz de escrever única poesia:

dos teus belos cachos, até teu pescoço;

descendo teu peito – doce maresia.


Tudo em ti é capaz de poetisar.

Tu és rima, métrica, balanço e ritmo

em corpo só. Tu és um apaixonar

em olhar e toques únicos e íntimos.


Tu és poema que não posso escrever

por não ter nessa nossa realidade

palavras capazes de te descrever

nem de romanciar quem és de verdade.


Sofro quando te olho e fogem palavras

p’ra te escrever único e singelo verso.

Sofro como se afiadas navalhas

cortassem fora as estrelas do universo.


Mas isso é tudo que tu és:

uma história inexplicável;

um mistério inigualável 

escondido embaixo dos meus pés.


Esse poema que teu corpo me conta

é plausível de leitura à olho nu.

Nua é, então, livro de ponta a ponta


que, com sua cativante paixão, eu vejo.

E é por isso que contigo tanto te olho:

quanto mais atento olho, mais te leio.


-Lopes, Carlos.


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