Trecho do livro 'A boca do muro', de Bruno Honorato
FARINHA TUDO DE NOVO!
Atravessaram a avenida, entraram pelo beco, desembocaram na
paralela. De ideia com a parede. BOMBA CITY * ARRASTÃO * DINHO * NINJA *OS
BICHO VIVO * ABSTRATOS * TCHENTCHO * KRELLOS. Seguiram. Passaram pela
Quadrinha, pela Rua do Córrego e tomaram a Rua dos Prédios. VENENO * BEKOS *
INSUPORTÁVEIS * MALAS * PIAUÍ * VIKINGS * KBEÇA *BAGUNCEIROS * TERRÍVEIS. Casa
sem reboco, asfalto rachado, mato saindo pela brecha do concreto, muito bar,
muita igreja. A Rua dos Prédios era uma ladeira, a subida esquentava e tirava o
fôlego. Lá embaixo, o fluxo. Lá na frente, a ponta de um outro morro. O
pancadão entre os dois, num vale. E na meiota do vale, a boca, que patrocinava
o evento que nem marca de cerveja em festival de rock. Desceram. Muito carro
parado na calçada, alguns rebaixados. Moto para lá e para cá. De mão em mão,
uísque, energético, cerveja, lança, baseado. Comes-e-bebes nos dois lados, em
barracas. Não havia ordem aparente. O cheiro do espetinho se misturava ao do
narguilé. Negazul mandou um alô para o Bar do Pascoal. De pé, apoiados no
balcão, um homem e uma mulher responderam ao aceno. Os ALKIMISTAS iam lado a
lado. Música cada vez mais alta. Bastante calor. Janela aberta, lâmpada acesa;
em algumas casas só a luz da TV. Do lado de fora, nos fios, pipa, rabiola,
tênis e um boné. Os fios acompanhavam o sentido da rua, de poste em poste, e
também cruzavam ela, uma bagunça da porra. A lua crescendo, a semana seguinte
ia ser um arregaço, certeza. Lua bitela, o canal para foscar.
Gordo parou no Goró de Qualidade, ficou de resenha com
Alemão, o dono da barraca. Os outros ALKIMISTAS cumprimentaram de longe. Bonito
colou numa jovem de cabelo crespo e tênis rosa. Oi, princesa. Que coisa mais
linda essa sua boca. A mina olhou o alquimista de cima a baixo. Arrastou a
colega pela blusa. Pixador no vácuo. Tchau, princesa. Gordo se despediu de
Alemão. Foi até os amigos. Vazar? E lá se vão os ALKIMISTAS. Música cada vez
mais alta.
Som no talo, som de preto, de favelado, mas quando toca
ninguém fica parado. Quero ouvir. Mais uma vez. É som de preto, de favelado,
mas quando toca ninguém fica parado. Gordo curtindo, balançando. Helipa, é
baile de favela. Joaniza, é baile de favela. ÚLTIMOS * ÚNICOS * PÁLIDOS *
VÂNDALOS, também. Baile de favela. Nina, é baile de favela. Mais que todos,
pode crer. Negazul em casa, cresceu ali. Ela não anda, desfila; é top, capa de
revista. Bonito procurando uma novinha, atrás de um rabetão tão tão tão tão tão
tão.
(...)
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